As árvores em volta começavam a se agitar com uma brisa assim que ele resolveu me fitar. Trepidei por inteiro e pasmei ao sentir os olhos que penetravam minha alma. Ele abaixou o capuz, Teu rosto era de pele negra, cabelos compridos e trançados, uma pequena barba contornava a boca, e seus olhos era de um castanho esverdeado tão intenso quanto a própria natureza poderia revelar as cores.
- Veio mais cedo do que esperava – disse ele como que pensando – Mas com certeza ainda não está pronto.
Sem saber exatamente o motivo, minhas pernas resolveram ir em direção dele, enquanto me olhava atentamente.
- Então garoto, qual seu nome? – falou tentando demonstrar alguma cordialidade para não assustar a criança, literalmente.
- Victorius – Respondi com bastante dificuldade, parecia que o ar da floresta, estava pesado demais para sair de meu peito, e minhas pernas tremulavam enquanto cada vez mais me aproximava dele – como eu volto para casa? – Foi o máximo que consegui falar, após falar meu nome.
- Não há com o que se preocupar, você já Está em casa, meu nome é Henry, e nos veremos em breve – falou saltando-se de pé, antes que me aproximasse mais – e já está ficando tarde, é hora de ir.
E no instante em que a palavra ir deu-se por encerrada, pisquei, e eu ainda estava no colégio, entretanto já era próximo do final da tarde, tinha realmente que ir embora, ainda não tinha almoçado, e provavelmente meus pais estariam preocupados.
Corri para dentro do colégio, fui à diretoria, peguei meus materiais, já que não estavam mais na sala de aula, e sai correndo para casa. A rua do colégio ficava no alto de uma ladeira que se encerrava numa ponte de madeira que cruzava um rio de água cristalina. Não havia muitos carros e a calçada era larga e rente ao muro da paróquia, dona da escola. Além disso, galhos de eucaliptos faziam sombra durante toda ela. Na ponte já podia ver minha mãe vestida de branco, provavelmente vindo do hospital onde trabalhava, aflita. Acho que nunca tinha tomado uma bronca tão grande quanto naquele dia, e no fim acabei sendo privado de meu caderno de desenho.
Alguns dias se passaram sem que nada de “anormal” acontecesse...

2 comentários:
muito boa a parte em que ele acorda na escola! e impossível não associar esse colégio, essa ponte, com outros bem semelhantes... hehehehe parabéns!
Excelente narrativa, além da minuciosa descrição, inclusive da rotina da escola em relação aos materiais escolares (rsrs)...
Esse trecho em que Victorious dialoga com Henry e "o ar ficou pesado demais etc", me fez lembrar um episódio da minha infância, quando fui cercada por três cães fila, bem, sobrevivi, mas pensei que minhas pernas tremeriam para o resto da vida!
Quel.
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