sábado, 28 de janeiro de 2012

Pergaminho II - A grande Trilha - continuação 1


A trilha era cheia de curvas, estreita e vez ou outra tinha que saltar alguns galhos que caíram devido as chuvas dos meses anteriores. A mata era cerrada, as copas das árvores se fechavam logo acima de mim, de forma que a luz do sol só chegava ao chão, em poucos e pequenos pontos abertos nas folhagens. Atrás de mim, ainda vinha o som das crianças que desejam mais que qualquer outra coisa, me sujar com ovos.
Corri por mais alguns minutos, logo a frente havia um entroncamento de várias e várias trilhas, que foram criadas por água da chuva, e devido a isso, eu já não mais sabia qual trilha seguir, só não queria voltar, ovos em mim? Só se me encontrasse novamente. Sentei no chão arenoso, e fiquei encarando cada trilha tentando descobrir qual delas era minha. A memória falhava, devido o tempo sem entrar na mata, o tempo passava, e o tempo passava, logo adiante, na trilha da esquerda, um pardal, pássaro comum da região, tomava seu banho de areia. Levantei-me e disse a mim mesmo: Eu escolho essa trilha. Decidido entrei pela trilha a direita, oposta a que vi o pássaro. Lá atrás já não mais ouvia barulho nenhum, talvez eles tivessem desistido de ir atrás de mim.
Caminhei por mais uma hora, e a trilha finalmente parecia se alargar cada vez mais, o chão começava a perder a textura de areia e passava para terra batida, e sem rastros de carros de animais ou pegadas, não havia vegetação na estrada, como também, não havia pedras, percebi que nunca havia passado por ali, pelo menos não me recordava. A vegetação ao redor, havia se modificado um pouco, já não era tão fechada, e as árvores eram um pouco mais altas, algumas até com aparência acolhedora, outras ameaçadoras, com seus galhos estalando ao vento, e arremessando frutos, ou sementes para baixo, talvez até falando para não encostar nelas.
A trilha era reta, e se perdia na linha de minha visão, por um momento pensei em desistir, mas já não via o começo da trilha, e nesse momento um cheiro de cosido fresco me chamou muito mais a atenção. Ele vinha do meu lado esquerdo e fora da trilha, cuidadosamente, segui o cheiro, e para minha grande surpresa, encontrei uma casa, feita de madeira completamente, e de madeira viva, pois era possível ver brotos nascendo das paredes pelo lado de fora. A casa não havia portas ou janelas, apenas os espaços abertos que indicavam que ali deveria ser o lugar de cada um. Na parte de fora, vi uma espécie de fogão a lenha, não era exatamente como eu conhecia na região, mas parecia bem feito, e não havia chaminé no fogão. Algumas panelas de barro descansavam no fogo, enquanto uma mesa posta do lado de fora da casa, sustentava sobre ela, dois conjuntos de pratos, simples de uma louça muito bem trabalhada, duas cadeiras de frente uma para outra e respectivamente de frente para os pratos, e duas espadas encostadas na mesa, como em xis. Me aproximei devagar e desconfiado, nunca soube de alguém morando na famosa mata do padre, a casa era muito simples, e não havia outros cômodos, apenas um quadrado, onde tinha uma mesa, com uma cadeira, uma cama, e de fora a fora em todas as quatro paredes, do chão ao teto, havia prateleiras, com vários e incontáveis pergaminhos escritos no couro, ou numa espécie de papel diferente do que já tinha visto.
- Bom dia Victorius – Disse uma voz que já há seis anos, não escutava – como foram os três dias de viagem?
Olhei para trás espantado, e vi um negro de olhos castanhos esverdeados, portando uma roupa marrom e surrada, cabelos rastafári e amarrados em um rabo de cavalo, com uma colher de pau na mão, capuz caído para trás, um arco preso nas costas, barba pequena e aparentemente mais novo do que quando o vi pela primeira vez. Sim ele era o mesmo que entoava o canto que ouvi há muito tempo atrás.
- Três dias de viagem? – Respondi sem entender absolutamente nada – você quer dizer uma hora e meia de caminhada, não? Mas estou bem, e indo para casa agora.
- Não meu caro – disse Henry – foram três dias exatos de caminhada, você apenas não percebeu o tempo, aqui na floresta, o tempo passa completamente diferente de “seu mundo” – falou isso com um sorriso no rosto – sente-se e coma, deve estar faminto. 

ps: A música não tem muito haver com esse texto, mas ela me foi dedicada há muito tempo quando eu fazia aniversário, e escrevia sobre isso. espero que gostem.

1 comentários:

Anônimo disse...

Sabia que esse Mestre Henry era o móoohhh gatão!!!
Estava era valorizando o passe dele se escondendo no capuz... kkkk
Curte essa vibe aé Henry Rastaman:
SOJA - Open my eyes
http://www.youtube.com/watch?v=mx5eGaYExiA
Embora esse espaço seja mais do Rock, a mensagem da música tem um pouco haver com essa trajetória do peregrino.
Aguardando cenas dos próximos capítulos! rs
Abraço! ;)

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