Em minha cidade natal, nos meses de Novembro, uma brisa gelada passeia pelas ruas nas madrugadas, deixando o amanhecer um pouco mais frio e com uma agradável sensação de querermos continuar na cama dormindo. Não foi diferente no ano em que completei meu 14º aniversário. Tudo ocorreu como de costume, parentes ligavam de lugares distantes, os amigos tentavam me encurralar no colégio para fazerem a cerimônia da quebra de ovos. Essa consiste em segurar o aniversariante com a maior força possível, e quebrar o máximo de ovo em sua cabeça, acrescentando hora farinha de trigo, hora qualquer outra coisa que pareça pó.
Particularmente eu até gostava da brincadeira, pois via como uma competição e eu sempre tentava dar um jeito de fugir no último instante. O sino soou por toda a escola, e como já sabia do que iria acontecer, tentei ganhar tempo para pensar o que fazer para escapar, fiquei na sala arrumando a mochila com a mais lentidão possível e disfarçável. Saltei a janela, mas infelizmente o colégio só tinha uma saída, e nesse momento, um de meus melhores amigos, rindo um sorriso de carrasco, segurou pela minha mochila e foi gritando até a porta de saída:
Particularmente eu até gostava da brincadeira, pois via como uma competição e eu sempre tentava dar um jeito de fugir no último instante. O sino soou por toda a escola, e como já sabia do que iria acontecer, tentei ganhar tempo para pensar o que fazer para escapar, fiquei na sala arrumando a mochila com a mais lentidão possível e disfarçável. Saltei a janela, mas infelizmente o colégio só tinha uma saída, e nesse momento, um de meus melhores amigos, rindo um sorriso de carrasco, segurou pela minha mochila e foi gritando até a porta de saída:
- Peguei o Victor – gritava – Peguei o Victor! Venham é aniversário dele!
Olhando para os lados vi o restante seguindo-o até o lado de fora. Um dos que já estavam no portão esperando, me segurou pela cintura. E lá estava eu no alto da ladeira, na rua do colégio, que se encerrava numa ponte de madeira que cruzava um rio de água cristalina. No meu lado esquerdo estava a calçada larga da paróquia encoberta pelos picos de eucaliptos. Pelo visto não ia ter como fugir dessa vez. Mas nesse momento não sei exatamente como, levei os dois braços para trás e fiz um movimento de onda com o corpo. A mochila ficou na mão de Rodrigo, e Lucas, que segurava minha cintura, caiu de bunda no chão, saí correndo, enquanto ovos voavam e espatifavam pelo chão. Um quase me acertou, e outro quase acertou o padre que subia a ladeira, que ficou horrorizado com a quantidade de crianças correndo ladeira abaixo.
Logo próximo a ponte percebi que uma chancela a minha esquerda estava entreaberta, e ela dava acesso a um terreno aberto mas que ao fundo após uma cerca começava uma “capoeira” – mata fechada, como o povo da minha cidade falava – e essa seguia margeando o rio, onde inclusive era um dos meus pontos preferidos, já que me levava a cachoeira da cidade. Eu já era acostumado a aquele lugar desde pequeno, e até então nunca havia me passado pela mente o motivo de gostar tanto daquela mata. Corri o mais rápido que pude, me esgueirei pela chancela, e como se não fosse um obstáculo, pulei a cerca e logo a frente vi a trilha que eu mesmo havia criado. Poucos tinham coragem de adentrar à mata do padre – esse nome era dado por ficar logo atrás da paróquia e pelas histórias que rondavam aquele lugar.

1 comentários:
Adolescente agora... rsrs
Essa escapada dos colegas, foi assim meio Matrix, em câmera lenta ainda!... o guri é praticante de Aikido, Le Parkour?!!! kkkk
Capítulo dinâmico e divertido!!
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